A idade da primeira avaliação
A recomendação é por volta dos 6 aos 7 anos, quando aparecem os primeiros molares permanentes e os incisivos. É o momento em que o dentista consegue enxergar, ao mesmo tempo, o que já é definitivo e o que ainda vai mudar.
Essa consulta costuma terminar sem nenhum aparelho, e isso é um bom resultado. O objetivo dela é decidir uma de três coisas: acompanhar e reavaliar, intervir agora enquanto é barato e simples, ou esperar a troca de dentes avançar.
Por que existe pressa em uma fase e não em outra
A criança tem uma vantagem que o adulto não tem: o osso ainda está crescendo. Enquanto isso acontece, dá para orientar a forma das arcadas, e não apenas mover dentes dentro de uma forma já pronta.
A ortopedia funcional dos maxilares trabalha nessa janela, agindo sobre osso e função. É o período em que problemas de base se resolvem com menos esforço:
- Mordida cruzada (os dentes de cima mordendo por dentro dos de baixo)
- Arcada estreita e céu da boca alto
- Mordida aberta causada por chupeta ou dedo
- Mordida profunda, em que os dentes de cima cobrem demais os de baixo
- Desvio do queixo ao fechar a boca
- Falta de espaço para os dentes permanentes que ainda vão nascer
Depois que o crescimento termina, parte desses casos deixa de ter solução ortodôntica simples e passa a exigir tratamentos mais longos, em alguns quadros associados a cirurgia. É essa a diferença que a idade faz.
Sinais que justificam antecipar a avaliação
Mesmo antes dos 6 anos, vale marcar se você observar:
- Dormir de boca aberta, roncar, babar no travesseiro ou acordar cansada. Respiração bucal muda o crescimento da face, e é o sinal que mais passa despercebido.
- Dificuldade para morder alimentos com os dentes da frente, ou mastigar sempre de um lado só.
- Dente permanente nascendo atrás do dente de leite, que não caiu, o chamado "dente de tubarão".
- Perda precoce de dente de leite, por cárie ou trauma. O espaço pode fechar antes de o permanente nascer.
- Ranger os dentes durante o sono, com desgaste visível.
- Queixo que desvia para um lado quando ela fecha a boca.
- Dificuldade de fala que persiste depois da idade esperada.
Quando um molar de leite é perdido cedo, os vizinhos escorregam para o vão em questão de meses. Em muitos casos a solução é um mantenedor de espaço, um dispositivo simples, que segura o lugar do permanente e evita um tratamento ortodôntico bem maior anos depois.
Aparelho fixo, móvel e alinhador
Não existe "o melhor aparelho": existe o que resolve aquele problema, naquela idade.
- Aparelhos removíveis e de ortopedia funcional atuam sobre crescimento e função, na fase de dentição mista. Dependem muito da colaboração da criança, porque saem da boca.
- Aparelho fixo entra depois, quando a troca dos dentes está mais adiantada, e é o que posiciona os dentes com precisão.
- Alinhadores são uma possibilidade em casos selecionados de adolescentes, quando há maturidade para usar as horas necessárias por dia.
O tratamento ortodôntico completo, incluindo aparelho fixo e alinhador para adolescentes e adultos, está explicado na página de ortodontia.
Quanto tempo dura, e o que depende da família
A fase de ortopedia costuma ser mais curta do que as pessoas imaginam, e o resultado depende bastante de duas coisas fora do consultório: o uso nas horas combinadas, quando o aparelho é removível, e a higiene: aparelho retém placa, e um tratamento bem-feito que termina com manchas brancas no esmalte não é um bom tratamento.
Depois que os dentes chegam à posição, existe a fase de contenção. Ela não é opcional: dente tem memória e tende a voltar, principalmente no primeiro ano.
Conteúdo informativo, revisto pela responsável técnica Dra. Mariana Adelar (CRO-GO 16481). Não substitui a avaliação presencial: cada criança tem uma boca, uma idade e um histórico.